Ordem dos
Hospitalários
Atenção: uma parte deste
texto é historicamente acurada, parte é ficção. Para não confundir os
conhecimentos de história do leitor, destacamos a parte fictícia em vermelho.
A Ordem Militar Soberana do Hospital
de São João de Jerusalém, ou Ordem dos Hospitalários, surgiu de uma hospedaria para
peregrinos criada em 1080 e dedicada a S. João Batista perto da abadia
beneditina de Santa Maria dos Latinos, em Jerusalém, fundada em 1050 por
mercadores de Amalfi. Seus servidores formaram uma
fraternidade laica sob a regra dos Agostinhos.
Com a conquista de Jerusalém pelos
cruzados em 1099 e o estabelecimento dos Estados
Cruzados na Palestina, o número de peregrinos cresceu, mas o estado de guerra
em torno deles aumentou o perigo da viagem. Uma bula papal de 1113 reconheceu
os Hospitalários de S. João como uma ordem monástica e logo depois, sob a
influência dos Templários (fundados em Jerusalém em 1120), os Hospitalários se
transformaram em guardas armados e logo em monges combatentes, participando das
Cruzadas e mantendo fortalezas e hospedarias ao longo da Terra Santa. Sua cruz
de oito pontas tem significado semelhante à cruz dos Templários, mas é branca
sobre fundo vermelho e tem um desenho diferente.
Muitos deles pereceram nas batalhas
que levaram à queda de Jerusalém em 1189, que levou a sede da Ordem a recuar
para Trípoli e depois para Acre até sua queda em 1291. Em seguida, a Ordem
recuou para Chipre. Em 1301, reorganizou-se em sete línguas: Provença,
Alvérnia, França, Espanha, Itália, Inglaterra e Alemanha, cada uma chefiada por
um Pilier,
mantendo um dos seis cargos supremos da ordem: Grande Comandante, Marechal, Hospitalário, Almoxarife (ou Drapier, encarregado da roupa e
moradia dos cavaleiros), Almirante e Turcópolo
(comandante da cavalaria ligeira, sem armadura). A Alemanha não tem um cargo; o
cargo de Tesoureiro não foi designado a uma língua específica.
As línguas correspondem a grupos
regionais de priorados e estes a agrupamentos de comendas. Estas consistem em
propriedades doadas ao longo dos anos à Ordem. As comendas podem simplesmente
ser propriedades ou casas nas quais podem viver e compartilhar algo da vida
espiritual da Ordem irmãos leigos (os corrodários),
homens e mulheres que não cumpriam alguns dos requisitos nobiliários da ordem
(os confrades ou escudeiros) ou nas quais os noviços se preparavam para seus
votos. Algumas casas são conventos de monges e freiras. Espera-se que cada uma
das Línguas envie um número estabelecido de cavaleiros ao convento principal em
Malta.
Em 1310, a Ordem dos Hospitalários
conseguiu conquistar a ilha de Rodes e herdar as propriedades da extinta Ordem
dos Templários no Oriente. Em 1489, incorporou a Ordem dos Cônegos do Santo
Sepulcro, passando a chamar-se Ordem
Militar Soberana do Hospital de São João de Jerusalém e do Sepulcro de Cristo.
Ficaram em Rodes até serem expulsos pelos turcos em 1522, mas em 1530 o
Imperador Carlos V deu-lhes a ilha de Malta. Em 1565, resistiram com êxito, sob
a liderança do grão-mestre La Valette,
a uma tentativa de invasão otomana e em 1571 contribuíram para a derrota da esquadra
otomana na batalha de Lepanto.
Ao contrário do que ocorreu com a
Ordem de Cristo, a Ordem dos Hospitalários tornou-se cada vez mais elitista.
Inicialmente, exigia-se do pretendente a cavaleiro apenas que pertencesse a uma
família de cavaleiros, mas nos anos 1350, passou-se a exigir a nobreza de ambos
os pais, em 1428 a nobreza de quatro gerações do lado paterno e em 1550 a
nobreza dos quatro costados (todos os avós). Cada uma das Línguas tem
requisitos próprios, que podem ser ainda mais rígidos: a França exige 8 costados (todos os bisavós), a Itália 200 anos em cada uma
das quatro linhas, a Alemanha 16 costados (trisavós)
etc. No século XVII, a nobreza de toga ou de função (nobres designados) foi
excluída de sua cavalaria. Não nobres podem, porém, ser capelães (o clero da
ordem) ou sargentos (seu “terceiro estado”).
O grão-mestre passou a ser considerado Príncipe do Sacro Império em 1607 e Eminência da Igreja
Católica Romana em 1630, o que o equiparou aos cardeais. A Ordem teve e continua tendo um papel importante na guerra
contra os luso-brasileiros, como a contrapartida católica da Ordem de Cristo,
convertida ao sebastianismo. Tiveram também papel importante na guerra final
contra os turcos e na reconquista da Palestina em 1766.
Em 1780, a Ordem inclui
1.700 cavaleiros combatentes, 3 mil não-combatentes,
17 mil sargentos e soldados e 15 mil auxiliares e dependentes civis. Governa de
forma semi-independente a ilha de Malta, além de vários domínios feudais na
Europa, a Tripolitânia e a Cirenaica. Participa da Dieta do Sacro Império, do
Colégio dos Cardeais e da administração da Palestina.
Os cavaleiros entram no
noviciado, tomam votos simples depois de um ano e votos solenes depois dos 21.
Membros professos (sejam cavaleiros, capelães ou sargentos) são chamados “de
Justiça”. Os sargentos usam a “meia-cruz”. Indivíduos que não preencham os
requisitos de nobreza mas se distinguiram de alguma
maneira podem ser feitos “Cavaleiros da Graça”, enquanto os “Cavaleiros da
Justiça” que renunciaram a seus votos e se casaram para atender a obrigações
familiares podem se tornar “Cavaleiros da Devoção”.
As prioridades militares
da Ordem são 1) a luta contra o islamismo, que a
coloca na linha de frente dos combates com o Califado e da repressão dos
levantes nos domínios norte-africanos do Sacro Império e 2) a vigilância das
forças navais luso-brasileiras no Mediterrâneo, possuindo para isso uma força
naval com base na ilha de Malta. Além disso, a organização também mantém
seminários, conventos, faculdades de teologia e uma importante rede de
hospitais e instituições de caridade.